O caos do transporte

Quais os principais problemas das grandes cidades? Muitos responderão que a insegurança reina, pelo menos em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, há outra questão que, aparentemente, está longe de ser resolvida: o transporte público.

Em São Paulo, chegar a qualquer lugar, independentemente da hora do dia, é uma árdua tarefa. Se você vai de carro, prepare-se para o congestionamento. Não é que você anda devagar nas vias de maior movimento. Muitas vezes você simplesmente não anda. O movimento do seu carro é apenas para dar passagem a motos (com motoqueiros sempre estressados), ambulâncias e viaturas.

Caso você prefira evitar o estresse de andar com o carro em uma cidade tão movimentada, vai optar pelo transporte público. Aí a situação parece se complicar ainda mais. Para atravessar a cidade, muitas vezes, você precisa pegar mais que um ônibus. E eles estão sempre cheios. Muitas vezes, também demoram a passar. E, claro, não são veículos imunes ao trânsito caótico.

Se você depender do metrô, ganha em tempo, já que o trem não precisa parar em semáforos ou engarrafamentos. No entanto, seu conforto (ou a falta dele) continuará o mesmo. Em horários de pico, o metrô fica lotado. Você não consegue se mexer, às vezes, nem consegue descer na estação certa. Além disso tudo, dentro dos trens sem ar-condicionado, a temperatura é sempre alta demais – cerca de 2 graus maior que a temperatura do dia.

O intervalo de trens do metrô de São Paulo é muito curto. No entanto, devido ao pequeno número de linhas, há estações que são verdadeiros gargalos, juntando pessoas que vieram de partes diversas da cidade. Nestes locais, o trânsito – a pé – é insuportável. E entrar em um trem é uma missão quase impossível.

Aliando todas estas dificuldades a problemas como o visto recentemente no Rio de Janeiro, onde funcionários da empresa de trem agrediram usuários, fica realmente difícil ver uma solução a curto prazo.

Sem um bom sistema de transporte público, sem investimentos no setor e ainda contando com a falta de educação do povo, no caso destes funcionários (alguns já demitidos, ufa!) - que, em vez de auxiliar os usuários, os maltratam, xingam e agridem – a sorte está lançada e estão todos ao deus-dará.

O governo tem de investir em transporte público, pegar experiências bem-sucedidas de outras cidades e trazê-las para a nossa realidade. Usuários e funcionários, por sua vez, podem contribuir para uma rotina um pouco menos desgastante, enquanto os problemas não se resolvem. Tudo do que precisam é um pouco de boa vontade, respeito ao próximo e educação.

Isso é pouco, mas já seria um começo...

E você, o que acha necessário para que as cidades grandes andem, sem congestionamentos e trens e ônibus lotados?

Enviada por Kika em 2009-04-16   Comentários (11152)

Todo Carnaval tem seu fim

O Carnaval acabou. Que delícia...Acabaram-se os desfiles intermináveis e as narrações sem graça dos comentaristas globais, acabaram as apurações e as festas das campeãs, chegou ao fim a overdose de axé e Ivete Sangalo. As estradas estão transitáveis, as pessoas voltaram a lembrar que não podem beber enquanto dirigem (ou seja, uma mão no volante e a outra na lata) e as praias voltaram a ser lugares bonitos e tranqüilos. Nada mais de trio elétrico e marchinhas até o ano que vem. Ufa, ufa, mil vezes ufa!


Não, não é que eu não goste de Carnaval. Eu detesto Carnaval. Eu tenho ojeriza ao Carnaval e gostaria muito de encontrar a pessoa que transformou esta festa popular no que ela é hoje, só para eu poder trancá-la em um quarto escuro, por alguns dias (alimentada com cerveja e batata frita) ouvindo, por horas a fio, axé, sambas-enredo e marchinhas.


O que a festa é hoje é até difícil de dizer. Não há uma definição. Zona, orgia, bagunça, banalidade, festival de operadas, lipo-esculturadas, botocadas e siliconadas? Talvez.


O fato é que a rica festa popular, cujo diferencial deveria ser a cultura do povo, se descaracterizou e se transformou nisso. Ou você acha que os estrangeiros que vêm ao Brasil no Carnaval estão interessados no samba de raiz, nos bonecões de Olinda ou no trabalho social de algumas escolas paulistas e cariocas? Não...eles querem mais é ver peito e bunda e, se possível, conhecer uma brasileira bem de pertinho. Depois a gente reclama da imagem que a brasileira tem no exterior. Nem poderia ser outra.


O Brasil tem riquezas demais – e o Carnaval (da maneira que era para ser e não é) é uma delas. Mas, enquanto as pessoas conseguirem transformar tudo o que for bom em algo sem graça, sem cultura e sem-vergonha, não haverá luz no fim do túnel. E toda brasileira continuará sendo sinônimo de bunda.

Enviada por Kika em 2009-02-26   Comentários (6143)

Anterior  1  2  3  4  5  Próxima