Algumas vezes, os carros, ao contrário de ajudar, acabam só atrapalhando a vida da gente. Imaginem só, um dia resolvi dar carona para um amigo com o carro da minha mãe. Quando estava chegando, liguei no celular do Ma (o tal amigo) para que ele descesse, mas quando cheguei em frente ao prédio, adivinhem? Nada do Ma, tive que estacionar de qualquer jeito.
Ele mora em uma descida íngreme e bem movimentada, enfim, um lugar complicado de estacionar. Fiquei lá esperando, mas sem me dar conta, a frente do meu carro estava atrapalhando a entrada da garagem, e um Fox prata estava subindo a rua, dando seta, e parou para entrar. Quando olhei para dentro do carro, vi uma mulher esbravejando, e só assim que fui perceber que estava atrapalhando.
Minha primeira reação foi olhar pra ver se o Ma já estava chegando, e sim, ele estava a caminho, mas logo em seguida a mulher começou a buzinar, e com razão, afinal, eu estava em um local proibido. Me bateu um desespero, eu emendei uma seta para a esquerda e sem pensar e nem olhar no retrovisor joguei o carro para a rua para sair da frente da garagem, e foi aí que veio um Pálio verde a mil km/h e bateu no meu carro, quer dizer, eu bati no Pálio verde. A lateral do outro ficou inteirinha amassada e riscada, e no meu carro apenas um desalinhamento do pára-lama.
Eu parei atrás do Pálio e em seguida desci para conversar com a motorista. A cara dela até me assustou, acho que queria voar no meu pescoço, mas aí eu fui logo falando, “desculpa, eu sei que a culpa é minha”, e recebi a resposta: “Querida, só te falo uma coisa, isso não vai sair por menos do que mil reais”.
Bom, como não sou eu que controlo essas coisas na minha casa, eu já joguei a bucha pro meu pai. Passei o telefone dele, e expliquei tudo o que aconteceu. No horário marcado ela ligou, conversou e ficou decidido que o seguro cobriria as despesas do conserto.
No dia seguinte, lá vou eu em oficinas e mais oficinas mecânicas para ver o meu prejuízo, e lá vão 800 reais para alinhar o pára-lama, um absurdo, mas...
Depois desse dia, comecei a acreditar quando minha mãe fala: “Cuidado filha, carro também pode ser uma arma na mão da gente.” Não só uma arma que mata ou causa acidentes, mas também uma que dá um tiro bem dado na nossa conta bancária!