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O paulista Ricardo Bassani já foi repórter e editor de diferentes veículos que lhe conferem experiência no segmento automotivo. Habilitado em jornalismo, teve cinco carros e duas motos. Desde 2005, só anda de bicicleta e observa o comportamento dos motoristas ao seu redor. Na coluna do Charme ao Volante, ele conta as aventuras e frustrações do cotidiano de quem passa grande parte do tempo dentro de um automóvel.
 
A diferença entre os sexos opostos no trânsito do dia-a-dia. Por Ricardo Bassani em 2008-07-23 00:00:00
Fotos de arquivo.
É antigo o folclore machista de que as mulheres poderiam sair por aí dirigindo na contramão. Coisa de muito tempo atrás, quando automóvel era privilégio para poucos e os homens não podiam nem pensar em cruzar com mulheres ao volante. O tempo passou, os medos são bem diferentes e, surpresa, motoristas são flagrados matando na contramão.

Só em 2008, são mais de dez casos da modalidade no estado de São Paulo, três deles numa só semana de maio. O que inclui desde ruas até avenidas e estradas. Carros na contramão criam um perigo que beira a fantasia mais catastrófica possível. Dirigindo numa viagem ou via expressa, não dá para imaginar uma surpresa desse porte em se tratando de probabilidade de morte.

Nem mesmo se surgisse um poste no meio da pista, pois como se sabe dos testes e projetos de segurança veicular, as batidas de frente equivalem ao impacto das duas velocidades somadas. Trata-se da situação de mais alta exigência mecânica e de segurança que os automóveis estão sujeitos, o limite dos testes de choque até em carros de corrida, capacidade que os veículos urbanos são incapazes de garantir.

A verdade é que mulheres e homens motoristas dividiram esses assombros, obviamente porque a causa não deriva de causas sexuais. Uma professora percebeu estar sem o dinheiro do pedágio e retornou pela própria pista capital-litoral da Rodovia dos Imigrantes. Uma jovem em sentido contrário na Avenida 23 de Maio acelerou até 100 km/hora depois de advertida pelos policiais. Um motorista de ônibus de viagem entrou na alça de acesso da Rodovia dos Bandeirantes e retornou pelo mesmo caminho em direção a marginal Tietê. Na Rodovia Castelo Branco, um jovem acelerou propositadamente no sentido interior-capital para compensar uma briga com a namorada.

O que todos os motoristas precisam fazer é atentar para o resultado de uma mistura que possibilita explicar tantos casos de contravenção na contramão: quantidade de carros, caminhos conhecidos e novas placas indicativas.



O crescimento vertiginoso da frota de veículos aumenta o trânsito e também o fluxo de entrada e saída desses carros para vias expressas. O novo proprietário ou motorista pode facilmente se enganar com a mão de direção ao sair de uma rua periférica para a auto-estrada, principalmente se não sinalizada ou sob nevoeiro, desatenção ou bebedeira.

Os caminhos conhecidos também podem confundir, com as freqüentes mudanças das obras de ampliação ou mesmo de mudança de mão de direção. Caso principalmente de São Paulo, em permanente construção de vias que prometem exatamente facilitar seus acessos e o trânsito. Em recente erro atribuído a programas de computadores, até mesmo a Secretaria Municipal de Transportes sugeriu rotas alternativas para os congestionamentos das marginais apontando, acredite, ruas a serem percorridas na contramão.

Em todos os casos, uma sinalização correta é vital. O que acontece é que ela não é suficiente. Um bom exemplo são as placas para o aviso do rodízio municipal instaladas ao final das principais rodovias. Logo na entrada da cidade e do perímetro de restrição, elas alertam quanto ao rodízio municipal de veículos, conforme o dia da semana e o final de sua placa, sem informar nenhuma das duas coisas.

Na tentativa de economizar com correções em milhares de placas, caso de uma mudança na escala atual de segunda a sexta, finais 1 a 0, prefere-se não acrescentar a informação. Quem quiser saber da exatidão das placas de orientação e direção, basta experimentar seguir suas indicações conhecendo seu verdadeiro destino para ver se coincidem.

Por tudo isso, pode-se afirmar que a direção de um carro é um agrupamento de utilidade, prazer, direitos e deveres. Um veículo é de extrema importância para um deslocamento confortável e seguro, só que pode não ser rápido, nem seguro e nem está sozinho. Em deslocamento, um automóvel está interagindo com seu ambiente e com os outros carros, o que gera vários resultados como poder assistir pelo mundo, desde Brasília até a Cidade do México. Ah, os atos dos motoristas, homens ou mulheres, temperam muito essas misturas.



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