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O paulista Ricardo Bassani já foi repórter e editor de diferentes veículos que lhe conferem experiência no segmento automotivo. Habilitado em jornalismo, teve cinco carros e duas motos. Desde 2005, só anda de bicicleta e observa o comportamento dos motoristas ao seu redor. Na coluna do Charme ao Volante, ele conta as aventuras e frustrações do cotidiano de quem passa grande parte do tempo dentro de um automóvel.
 
Perigo constante! Por Ricardo Bassani em 2008-07-30 00:00:00
Fotos de arquivo.
Certamente você já ouviu o chavão “Mulher ao volante, perigo constante!”. Isso se não chegou a fixar a frase na sua memória visual, pintada em cores fortes atrás de algum caminhão. O fato é que a guerra do trânsito existe para homens e mulheres bem depois da guerra dos sexos. O que muda é somente o ringue. No caso, armaduras metálicas com design e recursos sofisticados sobre rodas.

Homem sempre gostou de desafios e enfrentamentos. Briga se precisar ou se entender a necessidade, o que o deixa livre para inventá-la! Desafiado, agredido ou flagrando qualquer golpe, suas defesas exigem ação. E aí está a razão da violência no trânsito, em crescimento. Mas tal ação vai depender diretamente da reação do oponente. E aí está o raciocínio funcionando. Não se trata de relevar nenhuma forma de pensamento pacifista oriental, religioso ou metafísico, cada um entendido e valorado a sua maneira. Nem sugerir um completo comportamento passivo diante de ameaças ou mesmo agressões. Trata-se de fazer as contas numa guerra que começou bem antes de haver motivos claros.

Homens e mulheres pensam e reagem de modos diferentes em sua maneira de “ver” o mundo. Sabe-se que esse “sentir” tem profundas raízes neurológicas, antropológicas e até sexuais. Tal constatação vem se popularizando até com iniciativas, ainda que tardias, de programas dominicais, como o Fantástico da Rede Globo, com quadros de psicologia, comportamento e neurociência. Causas conhecidas, soluções ineficientes, pois é hábito pensar que regulamentações bastam para gerir atividades sociais. Quanto mais complexa uma relação social, mais acredita-se em regras e punições. Isso vale principalmente para o trânsito, que deveria então conseguir dirigir a si mesmo. Por isso, esse pano de fundo para solução de conflitos de discriminação sexual não funciona o suficiente. Senão, vejamos.



Se as mulheres dirigem melhor do que os homens conforme fazem acreditar as companhias de seguro, não existiriam algumas amigas que se negam a viajar como passageiras de outras. Se o número de motoristas femininas cresce em recorde junto com os carros novos, e elas todas são boas motoristas, o número proporcional de infrações e colisões diminuiria.

Mulheres atentas, responsáveis, inteligentes e opinativas desconheceriam motoristas de seu sexo ruins. Soluções ou experiências reveladoras das próprias mulheres em relação a suas descobertas ao volante seriam capazes de extinguir preconceitos sexuais. Mulheres, no lugar do cabível desrespeito e indignação por agressões, divertiriam-se com isso.

Longe dessas indagações e mais perto da realidade, é claro, trata-se de problemas associados ainda necessitando de acertos que nascem da própria convivência social. No dia-a-dia comum, quando ofensas, preconceitos e até violência valem como apenas metade do peso numa balança bem longe do equilíbrio. As mulheres ao volante representam então um perigo bem menos constante que as próprias relações sociais e principalmente a própria maneira de ver as coisas. Por isso em caso de proximidade com agressões de qualquer espécie, esteja ciente:

-mantenha-se concentrada na origem e nos acontecimentos
-releve a realidade, não os julgamentos
-não evite respostas, mas deixe para mais tarde se necessário
-controle expressões exageradas, como a raiva
-reconheça seus erros claramente sem barganhar
-lembre-se do que é bom humor



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