Depois de muita novela sobre a chamada lei seca, que praticamente proibiu qualquer nível de álcool no sangue de motoristas, o governo sinaliza com a proibição do fumo ao volante. Isso mesmo, você não vai mais poder dirigir e ao mesmo tempo segurar seu cigarro numa das mãos ou na boca. A alegação é de que o cigarro distrai e perigosamente coloca em risco o ato de dirigir, por vários motivos.
Isso bem no meio de um conflito que define propriedades pública e privada, a lei em votação é bem clara: “Fica proibido o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos ou qualquer outro produto derivado ou não do tabaco em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados de todo o Estão de São Paulo”. A lista inclui tudo que você já está imaginando, mais hotéis e pousadas, táxis, ambiente de trabalho e até áreas comuns de condomínios. Para o texto só é permitido fumar ao ar livre, dentro de casa ou em charutarias com áreas específicas.
Antes de me convencer de que a medida é só mais uma idéia brilhante de aumentar o faturamento com as multas, a nova infração de trânsito vai de encontro ao próprio carro. Sim, porque todos eles já saem de fábrica com acendedor e cinzeiro. É como imaginar uma geladeira para latinhas de cerveja, ou bandejas de gelo para bebidas nos modelos populares atuais. O fato é que nenhuma montadora do mundo ousou retirar esses acessórios do painel de seus carros, sendo seus motoristas e ocupantes, fumante ou não. Ou seja, não deu nem opção de escolha.
Quem pesquisar a história dos automóveis vai perceber que o luxo sempre foi uma de suas marcas. Bancos, tapetes, iluminação e instrumentos internos sempre foram pensados para impressionar, e foi aí que entrou o cinzeiro e o acendedor. Para nunca mais sair! Às vezes, um conjunto completo, com luz, para cada um de seus passageiros.
Vale pensar que do mesmo modo que o cigarro já foi símbolo de status, hoje já não é mais um objeto tão representativo. E isso não significa que a marca do carro esteja fazendo uma campanha contra ao retirar, ou a favor ao manter, a presença desses acessórios para os fumantes. Até mesmo modelos off-road, preocupados com praticidade por exemplo, ainda mantêm esses acessórios, mas exploram possibilidades de outros usos, como utilizar a saída elétrica do acendedor para ativar iluminação extra, aquecedores, aspiradores, ferramentas, carregadores de baterias (celular) e até mesmo pistões elétricos de ar comprimido para encher os pneus.
As possibilidades são tantas que os veículos já vem com mais de uma saída de voltagem além do acendedor, esta última bem pouco útil lá no meio da selva ou do deserto. Lugares onde você seria poupado de descobrir um fiscal de trânsito, escondidinho, esperando um motorista passar fumando só para anotar sua placa, carro e horário para preencher uma multa, como já acontece com cintos de segurança e onde há rodízio de trânsito conforme o final das placas.
Se você é fumante, sua opção, para leis que irão endurecer ainda mais até mesmo com estabelecimentos comerciais, é fumar em casa mesmo. Se mais ninguém reclamar!
Esqueça do cigarro dentro do veículo, afinal carro é lugar de manter as duas mãos na direção, nada de álcool na digestão, cinto de segurança afivelado até no banco traseiro, faróis e lanternas funcionando, motor regulado, retrovisores ajustados, pneus e lataria em condições, velocidade controlada, documentos e impostos em dia, licenciamento, placas visíveis e combustível suficiente. Caso contrário, multas, previstas para todas essas situações.
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