A Lei Seca contribuiu até onde podia para esvaziar os barzinhos e hospitais e encher os noticiários e o cofre das multas. Em números (bem chatos), só no mês de julho só na capital paulista, foram 65 presos, 5.535 motoristas abordados, entre eles 2.386 fizeram o teste do bafômetro, e 107 foram multados.
Já nos 24 mil quilômetros de estradas, houve redução no número de acidentes com vítimas (de 1.480 para 1.254), incluindo casos de morte nas rodovias (de 137 para 125, de um total que chegou a 17 mil no ano passado) segundo a Polícia Militar Rodoviária, em comparação com o mesmo período de 2007. A legislação que prevê multa (R$ 955 de 0,1 mg/l a 0,29 mg/l) e prisão (acima de 0,3 mg/l, fiança de R$ 1.200) em flagrante segundo a quantidade de álcool no ar expelido pelos pulmões, mais rigorosa que em muitos outros países, intensificou ainda mais a operação Direção Segura, aplicada pela PM há mais de um ano.
As discussões que se seguiram, e não foram poucas, apontaram a restrição das liberdades, generalização das regras e críticas a sua eficiência no longo prazo. Críticos gastronômicos lembraram do prazer do vinho a mesa, médicos da reação diferenciada do álcool conforme peso e metabolismo das pessoas e até filósofos afirmaram que o Estado tem de ser aparelhado e a população educada, ao contrário de promulgar leis que funcionam apenas como “espantalho” para os transgressores.
E ainda vem por aí, na esteira da urgência atrasada, o projeto de reforma do Código Brasileiro de Trânsito, anunciado pelo Ministério da Justiça desde fevereiro, com providências mais severas contra ultrapassagens pelo acostamento ou contramão e cálculos astronômicos para o aumento das multas, com multiplicação do valor máximo (R$ 191 reajustado para R$ 315) por até cinco vezes.
As mulheres também sentiram tudo isso, claro. Como passageiras estão liberadas para beber a vontade. Como motoristas estão igualmente proibidas. Como sexo feminino estão sempre um pouco bêbadas! Explico (sem medo).
Sabe-se que as mulheres têm um volume corporal menor que o masculino, portanto, uma equivalente menor resistência ao álcool. Isso não impede, é claro, que algumas veteranas liquidem grandes homens numa mesinha de bar. As famosas mulheres-cerveja, vinho, vodka, tequila, uísque ou cachaça mergulham na especialidade, inteiras!
Vai daí que sua auto-confiança ao volante se transforma numa dupla armadilha quando alcoolizadas: nada vai mudar suas decisões e sua capacidade de fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo pode lhes trair os reflexos. Principalmente porque elas também são capazes de ficarem bêbadas de alegria, ansiedade, expectativas, felicidade e até de raiva, ciúmes, dúvidas e certezas. Isso sempre!
Ou seja, é preciso muita, mas muita distração mesmo para uma mulher causar acidentes por estar resolvendo planos mirabolantes na sua cabeça e dirigindo ao mesmo tempo. Mas o álcool, já um terceiro universo, pode dar uma forcinha extra a essa capacidade e inverter sua boa qualidade. No chamado sexo frágil onde emoções nunca são demais, artifícios como as bebidas valem como grande atrativo, incluindo o de amaciar a carne, mas é a realidade quem cobra a medida de possíveis excessos. Isso vale tanto para o amor quanto para o álcool, antes de se tornarem índices ou vícios.
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