Responda rápido: o que você lembra das aulas de auto-escola? E o que você acha que ela deveria ter ensinado? Passado o período de aprendizagem e medo diante da direção, o balanço sobre a utilidade das auto-escolas pesa bem mais contra elas. Espécie de convenção a ser evitada, as responsáveis pela habilitação e treinamento de motoristas mais amedrontam pelos custos do que pelas exigências. Apesar de freqüentemente adaptadas às mudanças propostas pelas atualizações do Código Nacional de Trânsito, como a inclusão de técnicas de primeiros-socorros, as auto-escolas ainda são vistas como formalidades por seus futuros motoristas.
Elas ficam no meio de um extremo entre aprender a dirigir com pais, maridos, irmão e amigos, e a fantasia de serem capazes de passar noção de velocidade e pilotagem, como acontece com caríssimos cursos particulares e aulas exclusivas para recém proprietários de modelos superesportivos no exterior.
Ou seja, aprender a colocar e manter um carro em movimento e compreender leis e sinais de trânsito parecem suficientes para uma possível aprovação do exame. Daí cada um dirige conforme seu talento, na auto-escolha da vida.
Não conseguindo mais esconder essa distância entre função e realização das auto-escolas, autoridades do setor estudam ampliar a exigência de aulas para os alunos. A intenção é melhorar a capacitação dos condutores de veículos fiscalizando a formação e o conhecimento dos próprios instrutores de auto-escolas, os primeiros a passarem importantes noções de volante e comportamento a motoristas novos.
Simplificando. Menores e adultos que não sabem dirigir querem um automóvel, e só se submetem ao custo, exame e prova de habilitação porque é obrigatório. Estar habilitado é exigência primordial para evitar multas, agravamento em caso de provocar morte por colisão e para ser empregado. Ou você conhece alguém que tirou carteira de motorista por se interessar pelo tema?
As aulas de auto-escola e prova de direção seguem então a mesma linha no país inteiro. Cada lugar a sua proporção, com seus custos e taxas. E jeitinhos, capazes de burlar reprovações e até dar origem a quadrilhas de falsificação de carteiras, incluindo aí até uma pessoa cega habilitada. É como se diplomas fossem vendidos pela severa obrigatoriedade em se exercer uma profissão, sem que ao menos o indivíduo fosse capaz de realizar seu trabalho. Por isso temos tantos maus motoristas.
Caso do Conselho Nacional de Trânsito precisar de sugestões bem mais simples, baratas e eficazes, a primeira seria manter câmeras, simples como a do seu celular, durante as provas de direção prática. Toda prova seria filmada e poderia ser acompanhada pela internet, com prejuízo ou confirmação para os candidatos. Isso só para conter o leilão de inquietações entre futuros motoristas e examinadores numa hora tão sensível.
E antes que alguém reclame que deixei as mulheres de fora desse assunto, assinalo que não é minha surpresa não ouví-las reclamando de todo esse mecanismo. Maternais e extremamente crentes na sociedade, não imaginam o quanto pode ser comprometedora a possibilidade de atravessar normas para obtenção de habilitação. Mesmo que muitas delas tenham contribuído com propina nessa corrupção.
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