O que te encantou no jornalismo e fez com que escolhesse a profissão?
Basicamente duas coisas. Uma delas era ter essa possibilidade de ir aos lugares onde as coisas acontecem. Eu acho muito interessante você poder ver o mundo de longe ou estar onde as coisas que mudam o mundo e as coisas que repercutem nas pessoas estão eclodindo.
A outra é o fato de que intelectualmente é uma profissão muito desafiadora, pois você é obrigada a ser uma generalista, ter uma cabeça aberta para muitas áreas de atividades humanas. Desde o comportamento até a crise financeira internacional, tudo é assunto para um jornalista. Acho que nós não conseguimos nos aprofundar muito em um assunto, pois um dia é diferente do outro, você nunca sabe o que aquele dia vai demandar de você.
O fato de ser mulher atrapalhou você em algum momento da vida profissional?
Se eu disser que me atrapalhou eu estaria sendo injusta, pois acho que na minha carreira eu cheguei muito mais longe do que tinha imaginado. Por mais que nós, jornalistas, façamos relatos da realidade e acompanhemos os acontecimentos e mudanças, os lugares onde trabalhamos são geralmente conservadores. Quanto maior a corporação, mais conservadora é, portanto mais machista. Mas ainda acho que há um tratamento diferente dentro das empresas com as mulheres. Os americanos costumam chamar isso de “teto de vidro”. Para as mulheres o teto é baixo enquanto para os homens é bem mais alto.
De tudo o que você presenciou, o que mais te trouxe aprendizado para a vida pessoal?
O jornalismo acaba obrigando a gente a aprender muita coisa. Mas considero um período especial da minha vida, que trouxe a sensação do que é ser jornalista, quando fui para Brasília, em 1987, para ser repórter de economia. Considero essa vivência como uma verdadeira faculdade de macroeconomia, pois todos os dias eu aprendia algo que nem imaginava o que era e nem como funcionava.
Ser apresentadora de um programa direcionado ao público feminino sempre foi um desejo seu?
Nunca foi. As coisas foram acontecendo por acaso. Apresentar um programa feminino talvez tivesse passado pela minha cabeça, no entanto, quando eu saí da Globo, eu pensei em fazer algo diferente, que não tivesse aquela rotina diária. Queria algo de um ciclo mais longo de produção, com tempo de pensar, produzir e refletir. Tive a idéia, levei ao GNT e o programa deu certo. É um programa que me satisfaz muito no sentido de que exige estudar e pensar coisas novas.
Já passou por alguma “saia justa” em sua profissão?
Já passei por incontáveis saias justas. Mas toda vez que alguém me faz essa pergunta acaba me dando um “branco” e eu não consigo lembrar de uma boa história, mas pode ter certeza que ao menos uma por semana.
Como faz pra conciliar família, profissão e aparência?
Acho que, como toda a minha geração, eu acabo fazendo tudo de um jeito meio estabanado. Cada dia tenho que administrar um problema diferente e parece que nada foi bem feito. Eu sinto que nunca aprendi a conviver com isso, e sempre me cobrei muito mais do que sou capaz de fazer.
Você acredita que exista algum truque para o sucesso?
Hoje em dia, o sucesso é determinado pelos outros. Mas é muito relativo, pois as pessoas podem dizer que você tem sucesso e, por outro lado, você ser frustrado pois não chegou onde queria. Então, por ter investido em uma profissão que eu achei que seria a minha realização e ter essa confirmação, eu me considero uma pessoa de sucesso.
|
|