Conte um pouco sobre sua trajetória desde que percebeu que queria ser jornalista até se tornar apresentadora.
Eu queria ser jornalista desde criança, nunca tive problema de vocação, de escolha de carreira. Não me imaginava fazendo outra coisa na vida, apesar do meu pai querer que eu fosse médica. Cheguei a fazer cursinho para Medicina, mas na hora do vestibular, optei mesmo por Comunicação, sabendo que seria uma grande decepção pra ele. Mas, depois, meu pai entendeu, aceitou e é fã até hoje.
Comecei fazendo pesquisas de assinantes para a Folha de São Paulo e, quando terminei a faculdade, fui contratada pelo jornal Notícias Populares, que acabou sendo minha grande escola de jornalismo popular, com o mestre nessa área, Ebrahim Ramadan. Depois, fui para o Diário de São Paulo (já das Organizações Globo), revistas Amiga, Contigo, Semanário, etc... Trabalhei nas rádios Globo, Record, Capital e Tupi. Depois fui para o SBT, Record e Rede TV!. E por aí vai.
Pode-se dizer então que você traçou seus objetivos desde cedo. O que saiu dos seus planos?
Inicialmente eu pensava em ser correspondente internacional. Adoro viajar, conhecer outros países, sempre que posso dou umas escapadas para o exterior. Mas não consegui romper o cordão umbilical com a família. Só de pensar em viver longe, me dava um nó. Optei por ficar e não me arrependo. Mas continuo me devendo essa. Quem sabe na próxima encarnação, né???
Existe uma Sônia Abrão em frente às câmeras e outra mãe e dona de casa?
Sou basicamente a mesma pessoa diante das câmeras ou longe delas. Mas me acho melhor como profissional do que como dona-de-casa. Não sei comandar uma casa como apresento um programa. Sou muito desorganizada e dispersiva nessa área doméstica. Como mãe, só meu filho pode dizer...mas sou muito dedicada. Meu dia-a-dia é uma correria, levanto às seis da manhã e vou dormir depois da meia-noite, me dividindo entre o trabalho, família e um tempinho pra mim.
Muita gente diz que você não tem "papas na língua", o que a torna polêmica. Essa característica sempre fez parte da sua personalidade?
Sou da paz, não gosto de encrenca, mas tenho pavio curto. Não tolero injustiça, intriga, mentira, omissão, etc... É meu jeito de ser que, claro, reflete no trabalho. Daí, para me envolver em polêmicas, é um passo...
Quanto a me tornar polêmica, é conseqüência da minha personalidade, do fato de não conseguir ficar de boca fechada e sentir necessidade de dar sempre uma opinião. E a verdade tem seu preço! Repercussão.
"Não existem fatos, apenas interpretações", disse Nietzsche. O que acha desse pensamento?
Amo Nietzsche, mas ele era filósofo e eu vivo dos fatos, portanto não posso concordar. Os acontecimentos estão aí, mas a interpretações é que são o problema, porque muitos profissionais confundem-nas com distorções. Prefiro quando Nietzsche diz em Gaia Ciência: "É necessário determinar de novo o peso de todas as coisas". Nisso eu concordo com ele!
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