“Quando fiquei grávida, minha sogra queria muito acompanhar a gravidez, ela cedeu um cômodo da casa para meu marido e eu morarmos. Assim, ela não ficaria longe do filho e poderia conviver com o bebê. Mas não foi uma boa escolha”. O relato é da estudante Daniela Taboada e ilustra a difícil relação com a sogra, especialmente quando esposa e sogra estão sob o mesmo teto.
Durante o namoro, a relação com a sogra pode ser um mar de rosas. Chegou a hora de casar, mas a única alternativa para concretizar o sonho é morando com a mãe dele. Será que é possível a convivência na mesma casa?
Daniela teve muito sofrimento com este convívio. Ela não se sentia à vontade e ficava incomodada com a maneira da sogra falar e agir com seu marido e os outros moradores da casa. “O modo de convívio deles era totalmente diferente do da minha família. Isso me intimidou e fez com que ficasse isolada na casa”, diz. Uma de suas maiores dificuldades, segundo conta, era aceitar as interferências da sogra. “Ela achava que eu deveria parar a faculdade, interferia no meu casamento e não sabia por que eu não falava tanto com ela”.
Segundo a psicóloga Valdete Santos, as mulheres, geralmente, têm mais problemas para lidar com a sogra e isso acontece porque elas entram em uma competição de mulher para mulher, concorrendo pelo afeto do filho ou marido. “Além da competição, é difícil aceitar alguém que não é da família, mas está inserida em sua casa. A diferença de educação e criação interfere muito nessa convivência”, revela.
Quando o imóvel é do casal pode ser que o sofrimento seja menor. A visita normalmente é obrigada a tolerar algumas atitudes, pois deve seguir as regras da casa. “Como a casa não era minha, eu tinha que seguir muitas regras. Uma delas, por exemplo, era que eu não podia trancar a porta do meu quarto”, afirma a estudante.
A história de Daniela não teve um final feliz, pelo menos não entre ela e a sogra. Hoje elas não moram mais juntas nem têm um bom relacionamento. “Depois de muitas brigas e discussões, nós não nos falamos mais”, conta.
É importante ressaltar que, quando ocorrem brigas e discussões, o homem também acaba sendo envolvido e isso pode causar discórdia inclusive na relação dele com a mãe. Valdete diz que, no geral, os homens costumam fazer os dois jogos: quando está na frente de uma concorda com ela tentando amenizar a situação; na frente da outra, faz a mesma coisa. A intenção é diminuir as confusões. Porém, de acordo com a profissional, esta não é a melhor atitude a ser tomada. “Acredito que, nesse caso, o diálogo é a melhor forma de resolver as diferenças. O papel do filho é tentar resolver as questões de forma clara com a esposa e a mãe, mostrando que os motivos das discussões são menores e inferiores do que as coisas boas”.
Basicamente, a ocorrência ou não destes problemas depende muito da personalidade das pessoas envolvidas. Os conflitos na convivência são normais, mas é importante saber lidar com eles. Segundo a psicóloga, o casal precisa ter sua privacidade e seu espaço, principalmente no começo da vida a dois. Mas, se isso não for possível, deve ser feito um esforço para diminuir o sofrimento.
Dicas (para seguir enquanto morar com a sogra):
- Respeite o espaço dela;
- Ouça o que ela tem para dizer;
- Converse e tente expor a sua opinião sem estresse;
- Compreenda as limitações dela;
- Tente extrair coisas boas desta relação.
“Se houver uma relação de respeito e carinho, os outros conflitos ficarão secundários”, garante Valdete.
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