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Imagem alterada

É comum ser vaidosa. Mas se submeter a processos arriscados sem necessidade, além de exagero, pode vir de uma distorção da própria imagem. Esse quadro é mais comum do que se imagina segundo o cirurgião plástico Múcio Castro, que se depara com o "dismorfismo corporal" muitas vezes.
 
Defeitos muito graves podem ser, na verdade, uma anomalia psíquica. Por Lia Segre em 2009-09-25 14:07:41
Fotos divulgação.
Você é vaidosa? Qualquer pintinha em seu rosto é um monstro prestes a te devorar? Quando você olha no espelho você enxerga um urso polar e seus amigos discordam? Vaidade todo mundo tem, mas quando a pessoa costuma recorrer a intervenções profundas e arriscadas em busca do corpo ideal, pode ser sinal de exagero. Existe um distúrbio psicológico em que a pessoa aumenta traços que considera negativos. O cirurgião plástico Múcio Leão Pessoa de Castro chama este distúrbio de dismorfismo corporal: "Quando a pessoa tem alteração da visão corporal e distorce a própria imagem".

Essa é uma característica também de doenças nervosas como anorexia e bulimia, em que a descrição feita pelo paciente não bate com a que os outros vêem dele. "Por exemplo, um paciente que tem uma mama grande e fala que tem uma mama 'monstruosa'", conta o cirurgião, que frequentemente se depara com pacientes com essa característica.

A maioria das pessoas com distorção de imagem é jovem. Porém, Castro não enquadra o distúrbio em alguma classe social ou sexo. Mas a anorexia nervosa, por exemplo, em que a pessoa tem uma visão distorcida da própria imagem, acomete principalmente pessoas ligadas ao mundo da moda, bailarinas, atletas, em países desenvolvidos e classes sociais mais elevadas, de acordo com o estudo Escuta do Psiquiatra: Sinais e Sintomas de Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa, de Ana Teresa Paccola.

Linha Tênue
Quando uma insatisfação pode tornar-se algo mais sério? Para Castro, se a pessoa é muito vaidosa, ela tem mais propensão a desenvolver o distúrbio. Uma coisa é mexer muito no cabelo e se preocupar com moda. Mas se a pessoa chega ao ponto de fazer uma cirurgia e enfrentar uma intervenção de alto risco, existe algo para o qual é preciso ter atenção. "É normal alguma insatisfação, tem pacientes que chegam e definem qual a dificuldade que sentem, qual a parte do corpo de que não gostam e o que descrevem condiz com a realidade. Quem tem distúrbio pode até ter o problema que alega, mas, inevitavelmente, este problema é muito mais valorizado pelo paciente do que seria para pessoas normais", esclarece Castro.

Em quadros como este, dificilmente a própria pessoa notará alguma alteração ou comportamento bizarro (assim como na anorexia e bulimia nervosa). Aquelas que reconhecem são as que já passaram por terapia e enfrentam o problema novamente. Por isso, vale atentar para a opinião do profissional de saúde quando é indicada terapia antes da compra de um procedimento cirúrgico.

Para Castro, o tratamento psicológico é bem vindo quando diagnosticada alguma anomalia. Nesse caso, a pessoa não deve operar. Também devem ser observados os casos de conflito emocional, depressão e pessoas traumatizadas. "O trauma psicológico tem de ser superado antes de ser tomada uma decisão de uma mudança como essa", afirma.

A causa de tal distúrbio ainda não foi descoberta. "Como em todas as patologias psíquicas, estamos atrás da causa, que provavelmente seja algum distúrbio neurológico. Mas ele é piorado num meio que valoriza demais a forma física, a beleza e o padrão estético", opina o cirurgião. E as influências do meio dizem respeito também à família. O fato de os jovens serem altamente pressionados para seguir um padrão estético torna-os mais propensos a desenvolverem visões exageradas e distorcidas de si mesmos.

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