Segundo um estudo realizado pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), quanto mais ciúme uma pessoa sente de seu parceiro, maiores serão as chances do mesmo se tornar infiel. Neste caso, a ação e reação levam o nome de “profecia auto-realizadora”, um fenômeno que, de tanto ser insinuado por uma pessoa, acaba sendo concretizado.
De acordo com Thiago de Almeida, psicólogo especialista em relacionamentos amorosos idealizador da pesquisa da USP, “o conjunto de crenças ciumentas que se tem a respeito do outro, quando em nível elevado, pode incentivar o companheiro a se engajar em comportamentos relacionados à infidelidade devido às expectativas de traição que são criadas de forma sutil”.
Muitas pessoas justificam o ciúme além do normal ao dizer que ama demais seu parceiro, quando, na verdade, amar demais é bem diferente do sentimento de posse. A psicóloga clínica Sandra Cecília, experiente em psicoterapia e aconselhamento e técnicas de relaxamento, diz que o amor não se mede pela quantidade.
“Quando a intensidade envolve emoções intensas e descontroladas da mulher, não se pode dizer que ela ama demais. Na verdade, ela não ama, o que ela tem é um intenso sofrimento baseado no medo, no apego e no ciúme. Tudo isso envolvido em uma grande capa de insegurança”, diz.
Normalmente, as mulheres que “amam demais” são mais emotivas e apaixonadas, o que não significa que elas amam de fato. Muitas vezes, esse sentimento é fruto de uma atitude resguardada desde a infância, que é demonstrada de maneira egocêntrica, com birras e “barracos”. Desde bebê, o Ser Humano sofre a ausência da mãe e o medo da perda a cada vez que sua progenitora se afasta. Algumas mulheres sofrem dessa mesma insegurança constantemente com seus respectivos parceiros durante toda a vida.
O pior é que tal sentimento predatório, além de cansar o parceiro, acaba com a paz de quem o sente, destruindo sua auto-estima e confiança. A personagem Heloísa, interpretada pela atriz Julia Gam na novela “Mulheres Apaixonadas”, é um bom exemplo disso. Ela é casada com um homem fiel que a ama – o lindo Sérgio interpretado por Marcello Antony -, mas as situações conflituosas de ciúme doentio põem em risco o seu relacionamento, fazendo-a sofrer intensamente.
O fato é que, como qualquer transtorno ou trauma da mente, esse sentimento de possessividade pode ter solução. Assim como Heloísa, muitas mulheres de todo o Brasil freqüentam o MADA – Mulheres que Amam Demais Anônimas. O programa recupera dependentes de relacionamentos destrutivos e ensina a mulher a se relacionar de forma saudável consigo e com os outros.
Baseado no livro “Mulheres que Amam Demais”, de Robin Norwood, o Grupo trata essas mulheres da mesma maneira que dependentes químicos, por acreditar que ambos têm comportamentos semelhantes. E não há motivo para se envergonhar ao procurar ajuda em busca da felicidade. Dessa maneira, o clichê “Quem é que nunca sofreu de amor?” só fará sentido quando relacionado à ausência definitiva da pessoa amada, e sofrer constantemente por ciúmes ou medo da perda deixará de ser normal.
Agora, também vale perceber se o problema está em você ou no seu parceiro, pois, nutrir-se de maus relacionamentos também pode virar obsessão. E se o amor não é viável nem saudável, é necessário cortar o mal pela raiz ao preferir relacionamentos mais sadios, mesmo que seja difícil abandonar a pessoa “amada”. Lembre-se, o amor é tranqüilo, feito de respeito, carinho e deve ser uma coisa boa, sempre!
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