“Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer”.
O trecho da obra “A Mulher de Trinta”, de Honoré Balzac, descreve o poder da mulher madura ao antecipar o pensamento que acompanha o homem há décadas. Porém, em pleno século XXI, essas mesmas mulheres têm se encontrado presas numa solidão que escondem por trás de sua independência. Por um lado, o sonho de constituir uma família o mais rápido possível. Por outro, a tristeza por ser cada vez mais difícil encontrar a tão esperada alma-gêmea.
Segundo a psicoterapeuta Maria Aparecida Alonso, a dificuldade em encontrar “a outra metade” é facilmente explicável. “A mulher mudou a maneira de ver o casamento nos últimos tempos. Antigamente, elas casavam e tinham filhos aos 20 anos. Hoje, quando jovens, elas estão mais voltadas para o trabalho, postergando assim o casamento e a maternidade para depois dos 30 e, quando chegam aos 30, querem conhecer alguém, casar e ter filhos o mais rápido possível”.
A verdade é que o fator biológico dá sinais de alerta após os 30 anos fazendo soar o alarme da maternidade na mulher, por mais que a tecnologia possibilite a gestação após os 40. “Nessa fase, o erro da mulher está em se desesperar para arrumar um pai para o filho em vez de procurar um amor verdadeiro, o que assusta os homens em geral e impede o sexo feminino de alcançar seu objetivo”, diz.
Em seu consultório, Maria Aparecida já teve casos de mulheres que levaram o casamento em forma de conto de fadas, imaginando um belo vestido e uma grande festa, e nem se lembraram da importância do noivo. “Os valores estão errados, pois elas se esquecem de tudo o que vem junto como conseqüência da união”, acredita.
A idealização do príncipe encantado dificulta ainda mais o final “feliz para sempre”, pois ele pode virar um sapo quando menos se espera. “O ser humano é cheio de defeitos e tem se tornado cada vez mais egoísta na hora de aceitar as diferenças dos outros. E, hoje, a mulher independente não exita em sair do relacionamento quando ela bem entende”, afirma a psicoterapeuta.
Dessa maneira, pode-se dizer que o erro está no approach feminino que é imposto de forma agressiva e ilusória. Em outras palavras, a mulher que deixa transparecer que quer casar e ter filhos com o primeiro pretendente no máximo consegue levar um belo “pé na bunda”, enquanto aquela que lida com a situação de forma mais feminina, dando tempo ao tempo, atinge seus objetivos.
Portanto, relaxem! Mesmo porque, é possível viver só, mas não solitariamente. “É só se abrir para os prazeres da vida, como sair mais com amigos, ir ao teatro, cinema, boates... E quando menos esperar, você vai encontrar alguém para te completar independente de padrões predeterminados para a ‘coisa’ acontecer tranqüila e naturalmente”. |
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