Uma coisa é certa: nenhuma mulher quer ser traída. Mas que ataque a primeira pedra aquela que nunca pensou em se render aos desejos de um corpo escultural quando ele passa à frente dos olhos. Razões masculinas à parte, algumas mulheres conseguem relevar um caso eventual do parceiro e voltar à vida a dois normalmente. Já outras acham a traição inaceitável.
De acordo com a psicóloga Liliana Liviano Wahba, Professora Doutora da PUC-SP, a mulher atual continua a lidar com a situação da mesma maneira que as gerações passadas. “Ela sente raiva, humilhação, baixa auto-estima, culpa”. A diferença é que, nos dias de hoje, a mulher moderna tem mais recursos para decidir o que fazer depois da traição.
O primeiro passo para decisão é entender as razões entre o casal. “Existem pessoas que têm dificuldade de manter uma relação única, pois se sentem dominadas e precisam de liberdade, o que, muitas vezes, denota dificuldade de confiar em alguém”, acredita. Para a psicóloga, “a casualidade significa oportunidade e excitação diante do novo, o que de fato pode acontecer, mas é freqüente que haja uma insatisfação prévia com o relacionamento”.
Para saber se o homem merece outra chance, Liliana aconselha a mulher a tentar compreender o que levou a traição e rever algumas metas. “Se o outro é um mentiroso costumeiro, será mentiroso em outras circunstâncias, e aí não há chance que resolva. Nesses casos, o que se vê com freqüência é que a pessoa enganada tem pistas e resolve não olhar para não ter que tomar uma atitude”.
Em seu consultório, a psicóloga não tem uma regra que valha para todos os casos, pois acredita que existem diferentes formas de parceria. “Amar é múltiplo, amor e sexo junto configuram uma parceria amorosa completa, outras formas de afeto entre casais são válidas: carinho, amizade, ternura. Se entendemos a primeira forma de amor, a traição, na maioria das vezes, revela que a relação era precária”.
Segundo a especialista, é possível permanecer no relacionamento depois de uma traição sem que haja represálias no futuro. Para isso, é necessário refletir sem reprimir o sentimento de ambos para que não apareça o ódio e o ressentimento. “Há casos em que o casal se renova e recomeça a comunicação interrompida com maior freqüência. E o homem tolera menos a traição da parceira”.
De um modo geral, Liliana considera: “Em um casal no qual existe amor e sexualidade - em tese, vínculo mais completo - , a auto-estima é importante; desde que esta se mantenha é válido permanecer e procurar se rever nessa relação. Já se a auto-estima foi ferida e não for possível restabelecer uma confiança, a ruptura tende a ocorrer”, finaliza.
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