Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a paixão não é um sentimento totalmente saudável. Em latim, passione significa sofrimento. No dicionário da língua portuguesa, além de significar amor ardente, tem expressões como vício dominador, sentimento excessivo e afeto violento entre seus sinônimos.
Em algumas pessoas, esse sentimento ganha proporções tão grandes que passa a ser sinônimo de tragédia. Um exemplo disso foi a morte da recepcionista Marina Sanches Garnero, que trabalhava em uma academia, em São Paulo. Marina morreu no dia 7 de janeiro deste ano, assassinada pelo ex-namorado, Marcelo Barbosa, no local de trabalho. O motivo do crime foi o fim do namoro. Ela já havia feito quatro boletins de ocorrências e o namorado continuava em liberdade.
Outro caso em que a paixão se tornou obsessão foi o chamado “Caso Eloá”, acompanhado e noticiado em outubro do ano passado, pelas mídias nacionais e internacionais. Nele, a jovem de 15 anos, Eloá Pimentel, foi morta pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes, que não se conformou com o fim do relacionamento e invadiu o apartamento onde ela morava. Após mantê-la como refém durante dias, ele matou a garota no momento em que a polícia tentou invadir o apartamento.
A psicóloga Lúcia Serrão explica que algumas das causas desse sentimento “obsessivo” podem estar relacionadas aos limites que os pais não deram aos filhos na infância. “Alguns pais criam seus filhos sem dizer ‘não’. Quando essas crianças crescem e se deparam com um momento de negação, são capazes de se transformar em homicidas, porque não aceitam aquela situação”, afirma Lúcia.
Para identificar a potencialidade de um homem homicida, de acordo com a psicóloga, é preciso observar o modo de como ele age com a companheira. “O homem transforma a vida da esposa ou da namorada em um desejo seu - ela deve ter os amigos que ele quer, as roupas que ele quer que ela vista, o emprego que ele manda. Ou seja, ela acaba vivendo uma vida manipulada por ele”, alerta Lúcia.
Mas, de modo geral, é claro que nem todos os homens que apresentam essas características são capazes de cometer um crime. A psicóloga afirma que é difícil para as mulheres conhecerem totalmente o companheiro. Por fim, ela cita uma frase da escritora Elizabeth Gilbert, autora do best seller “Comer, rezar, amar”: “Você só conhece a pessoa com quem está, quando pede o divorcio”.
Por todos esses motivos, vale sempre ficar de olhos abertos. Não apenas com relação ao seu parceiro, mas também com relação aos seus próprios sentimentos. A paixão exagerada costuma deixar alguns rastros de mal-estar, pois ultrapassa as barreiras do que se considera um relacionamento sadio. Excesso de ciúmes e desejo de dominação não fazem bem a ninguém. Por isso, sempre que precisar, procure ajuda profissional. E se algum dia, por algum motivo, notar algum comportamento estranho por parte de um ex, avise familiares, amigos e, se necessário, a própria polícia.
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