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Beleza a qualquer preço

Muitas mulheres são capazes de se sacrificar com inúmeros regimes ou até mesmo sem comer e fazendo exercícios físicos em excesso só para ficar com o corpo igual das atrizes das novelas. Mas essa busca desenfreada pela forma física “perfeita” é a receita certa para algumas doenças.
 
Bulimia e anorexia: os transtornos alimentares que podem levar à morte. Por Aleteia Beller em 2009-02-17 15:06:49
Fotos de arquivo.
Elas fazem de tudo: inúmeras dietas, malhação em excesso e utilização de medicamentos que inibem a fome sem orientação médica. Tudo isso para ter o corpo parecido com os das modelos, atrizes e celebridades. Mas a obsessão pelas formas perfeitas também é causa de transtornos alimentares. Os dois mais conhecidos são: anorexia e bulimia.

Nos dois casos, as mulheres se envergonham do seu corpo e procuram uma maneira de emagrecer. De acordo com o psicólogo Victor Souza, essas duas doenças estão ligadas principalmente às questões psicológicas. “As mulheres portadoras de bulimia e anorexia possuem baixa auto-estima e necessitam de maior aceitação da sociedade, principalmente no que diz respeito à beleza corporal”, afirma.

Anorexia

Apesar da bulimia e anorexia serem distúrbios alimentares, ambas são doenças distintas. “As pessoas anoréxicas estão normalmente abaixo do peso ideal, tem um imenso temor da obesidade e não conseguem comer, mesmo que seja em quantidade reduzida”, explica o psicólogo. Essas mulheres apresentam um distúrbio mental que provoca a distorção da própria imagem. Isso significa que, ao se olharem no espelho, se consideram gordas, mesmo estando magérrimas.

As portadoras dessa doença costumam fazer exercícios físicos excessivos, provocam o vômito, fazem dietas que restringem alimentos e se auto-medicam com remédios que inibem o apetite, além de diuréticos e laxantes. “A anorexia deixa a pessoa desnutrida e causa transtornos mentais que reforçam o desejo de continuar emagrecendo, fazendo com que ela se desinteresse pela vida, se isole da família e amigos e apresente alterações de humor constantes”, alerta Souza.

Bulimia

Já os portadores de bulimia são mais difíceis de serem identificados, pois possuem um comportamento social, afetivo e profissional totalmente normal. ”Uma colega de trabalho, uma amiga da faculdade ou sua irmã podem ser bulimicas sem que você perceba”, diz Souza. Ele ainda afirma que essas pessoas geralmente se envergonham de seus problemas alimentares e procuram ocultar seus sintomas.

O comportamento mais comum dos bulímicos consiste basicamente em ingerir uma grande quantidade de alimentos e depois provocar o vômito ou abusar do uso de laxantes e diuréticos. “Na maioria das vezes, as portadoras de bulimia são mulheres que estão na faixa de peso normal e com poucas oscilações, mas inseguras com sua forma física”, explica o psicólogo.

Ao provocar o vômito, a bulimica ocasiona lesões no céu da boca e na garganta, destrói o esmalte dos dentes, apresenta problemas cardio-vasculares e endócrinos. E o psicólogo ainda alerta: “Em ambas as doenças, o portador tem o risco de morte”.

O mais importante para quem possui uma dessas doenças, segundo o psicólogo, é se conscientizar de que precisa de ajuda. ”O portador deve procurar um psicólogo ou um psiquiatra, assim eles darão o prognóstico mais favorável”, aconselha Souza. Para casos mais avançados da doença, a internação se torna indispensável.

Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares (GATDA)

O GATDA foi criado em 1998 com a finalidade de ser um grupo de tratamento de apoio aos portadores de transtornos alimentares. Esse grupo é formado por psicólogos, psiquiatras e nutricionistas especializados no diagnóstico e tratamento de tais distúrbios. Lá, o paciente passa por uma avaliação e depois é encaminhado para psicoterapia, terapia familiar ou terapia nutricional, dependendo do diagnóstico. De acordo com os profissionais do grupo, vale a pena ficar de olho nas orientações abaixo:

- Alguém em que a pessoa confia muito deve ser o escolhido para iniciar uma conversa e tentar fazer com que a mesma procure ajuda;

- Se houver resistência, é recomendável que a conversa inclua os motivos pelos quais a pessoa resiste ao tratamento. É muito importante deixar claro que ela não está sendo vista como “louca”;

- Uma razão comum pela qual muitas pessoas resistem ao tratamento é o próprio medo de engordar. Neste caso, a terapia em grupo pode ser de grande valia, já que nela o paciente recebe informações sobre o funcionamento de cada tratamento. Além disso, os especialistas conversam sobre o interesse específico de cada paciente;

- Envolver a família no tratamento também melhora os efeitos da terapia, já que a mesma será incentivada a motivar o paciente;

- As negociações podem ser necessárias. Para promover a saúde e a segurança do paciente, os profissionais podem fazer mudanças na proposta inicial do tratamento.

- No começo, tratamentos com internação hospitalar involuntária devem ser evitados. Sempre que possível, devem ser utilizados os programas do tipo hospital-dia ou tratamento residencial;

- O terapeuta não deve pressionar o paciente, pois isso faz com que os sintomas piorem e o doente pode desistir do tratamento. É importante que os profissionais estabeleçam uma relação de respeito e evitem ameaças ou criticas destrutivas. O tratamento sempre deve aumentar a auto-estima do paciente.

- Os pacientes que já vivem com o distúrbio alimentar há mais de seis meses necessitam de uma aproximação diferente daquela utilizada para os doentes mais recentes. A doença crônica pode indicar que o paciente seja particularmente mais resistente ao tratamento.

- As pessoas que apresentem grande perda de peso em poucos dias, depressão, uso exagerado de medicamentos, desmaios, batimento cardíaco irregular e espasmos musculares devem ter o tratamento iniciado com urgência. Nesse caso, mesmo com a recusa do paciente, o mesmo deve ser levado para um hospital.

Mais informações no site http://gatda.psc.br/index.htm.



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