Muitas pessoas quando se sentem tristes, porque perderam alguém ou terminaram um relacionamento, atribuem a tristeza à depressão. Segundo a psicóloga Lúcia Serrão, no entanto, estes motivos não levam as pessoas à doença necessariamente.
A doença pode surgir por diferentes fatores, mas o principal deles é a estrutura psíquica de cada pessoa. “Por exemplo, a Donatela, personagem interpretada pela atriz Cláudia Raia, na novela ‘A Favorita’, teve várias perdas no decorrer da sua vida, mas ela continuou forte e acabou superando todos eles”, afirma Lúcia. Ela ainda completa: ”O Tarso, personagem do Bruno Gagliasso, na novela ‘Caminho das Índias’, por sua vez, aparentemente tem tudo – dinheiro, família, oportunidade de trabalho, educação. Mas, com a primeira dificuldade da sua vida – não se adaptar ao emprego – ele já entrou em depressão”, diz.
Outro fator que também pode ocasionar a enfermidade é a forma com que os pais tratam as crianças. “Como Tarso, muitas pessoas não tiveram a devida atenção dos pais na infância e, quando adultos, acabam criando uma estrutura psíquica fraca”, conta Lúcia. Ela ainda diz que pais depressivos podem passar este tipo de sentimento aos filhos. “A criança acredita que o sofrimento dos pais por alguma coisa foi ocasionado por ela. Isto fica no subconsciente e ela carrega esta culpa para vida toda”, explica a psicóloga.
De acordo com Lúcia, o estado de tristeza em que a pessoa fica quando perde um ente querido ou termina um relacionamento nem sempre causa depressão. “É normal a mulher sofrer com o momento ruim por até dois anos. O homem, por sua vez, sofre no máximo seis meses”, diz. Neste caso, a pessoa trabalha, estuda, faz suas atividades normalmente, mas se sente infeliz. O tratamento para esta tristeza pode ser a terapia.
No caso da doença, a psicóloga afirma que os sintomas são muito mais sérios. “A pessoa entra num estado de tristeza profunda. Ela perde o desejo de viver, não consegue levantar da cama, não quer tomar banho”, afirma Lúcia. A psicóloga ainda comenta que nada preenche a vida do indivíduo. “Muitas pessoas não conseguem nem andar”, diz.
A psicóloga ensina que parentes e amigos devem levar o enferme para uma consulta com o psiquiatra. “Se o indivíduo já está na cama há mais de um mês, as pessoas próximas devem levá-lo imediatamente a um psiquiatra”, orienta. Assim, ele deverá começar um tratamento com remédios antidepressivos. “Depois disso, quando o paciente tiver alguma melhoria, ele poderá fazer uma terapia com o psicólogo”, comenta Lúcia.
Além disso, os parentes e familiares podem tentar incentivar a doente com conversar, mostrar-lhe filmes de superação e procurar colocá-la novamente em uma vida social. “É importante também ter uma outra pessoa que controle a quantidade de remédios, porque eles são fortes. Em algum descontrole, o paciente poderá tentar tomar doses excessivas do medicamento”, comenta a psicóloga. O tratamento dura, no mínimo, um ano.
Orientação
Para evitar esta doença, ao sentir sinais de tristeza ou perda momentânea do desejo de viver, a pessoa deve fazer algo que a deixe feliz. “Chame os amigos, vá viajar, faça cursos ou uma faculdade, procure pessoas que vão te deixar contente, seja voluntário em uma ONG, grupo, hospital. Mas, principalmente, cuide da sua saúde mental, disponibilize um tempo para conversar com seu interior”, ensina Lúcia. Ela completa que se a pessoa seguir estes conselhos terá uma vida mais saudável e estará sempre feliz.
Tratamento de graça
Não procurar o tratamento porque está sem dinheiro não é mais uma desculpa. Segundo Lúcia, faculdades de psicologia e medicina, como a USP, PUC, Mackenzie e postos de saúde oferecem consultas gratuitas. Além disso, em São Paulo, existe o Instituto Sedes Sapientiae, que oferece tratamentos. A consulta no local custa R$ 25. Se você tem plano de saúde, o seu convênio é obrigado a pagar 12 sessões de terapia. “Isto equivale a um tratamento de três meses, que traz uma melhoria ao paciente”, completa.
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