Apesar de estarmos em pleno século XXI, ainda há diferença na educação entre meninos e meninas. Isto é o que afirma a psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Anhembi Morumbi, Ana Cristina Kuhn Pletsch. “Estas diferenças aparecem na divisão de tarefas, na expectativa de comportamentos mais adequados para cada sexo e na aplicação de punições quando estas expectativas não são satisfeitas”, afirma.
De acordo com a psicóloga, elas ainda existem porque são construídas pela sociedade e transmitidas de geração para geração. “Embora possamos observar algumas modificações nos padrões ao longo dos tempos, a transmissão social e estes comportamentos estão presentes nos pequenos gestos e práticas do dia-a-dia”, diz.
Os serviços de casa, para Ana, é um exemplo da repetição de padrões. “Alguns pais acreditam que as tarefas domésticas são funções exclusivamente das mulheres e eles nunca pararam para pensar porque a divisão ocorre desta forma. Simplesmente é assim e pronto”, explica a psicóloga.
Para Ana, esta educação diferenciada, no futuro, transformará as crianças em pessoas preconceituosas. “É importante educar meninos e meninas para que convivam bem com a diversidade e se constituam cidadãos capazes de valorizar a igualdade de gênero”, explica.
Ela ainda indica que o primeiro passo para combater essa diferença é fazendo com que as crianças de sexos distintos brinquem juntas. “Os pais devem aceitar com naturalidade que meninas podem gostar de jogar futebol e brincar de carrinho, bem como meninos podem gostar de bonecas e de brincar de cozinhar”, comenta.
Segundo Ana, para promover a “igualdade” na educação dos filhos, os pais devem questionar os padrões estabelecidos e estar dispostos a fazer exercício de não repeti-los automaticamente. “Outra dica é tratar meninos e meninas de modo mais igualitário, respeitando cada criança na construção de sua identidade”, ensina a psicóloga.
Além disso, para que o preconceito entre gêneros não atinja os filhos, Ana indica que a distribuição de tarefas deve ser igual para as duas crianças. “Convide os meninos e meninas para fazerem de tudo um pouco e de forma divertida”, diz. A psicóloga também afirma que os pais não devem esperar comportamentos carinhosos e meigos apenas das meninas e comportamentos agressivos e relaxados apenas dos meninos. Por fim, ela completa: “O ideal também é que os pais pratiquem a igualdade de gênero em suas próprias vidas, o que servirá como modelo aos filhos”, ensina.
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