Nem sempre ficar endividado é um mau negócio. Existem, sim, dívidas boas. E uma dívida boa é aquela que te ajuda a crescer, seja na carreira seja no desenvolvimento da sua empresa. Mas antes de ir ao banco em busca de dinheiro para pagar um MBA ou comprar a parte do seu sócio na empresa, você deve saber exatamente onde vai empregá-lo, como ele vai melhorar sua vida financeira e quando você pretende quitar toda a sua dívida. Por quê? Saber onde você vai empregar o dinheiro te dá um norte. Ter certeza de como ele vai te ajudar financeiramente te dá uma meta. E ter uma ideia de quando você termina de pagar a dívida te dá um prazo. Tudo isso serve para que você não vire mais um devedor sem motivo – e acredite, está cheio de gente assim no mundo.
Existem vários tipos de crédito no mercado:
Crédito consignado: uma dos empréstimos mais baratos. O funcionário recebe o salário já com o desconto da dívida, que não pode comprometer mais do que 30% do holerite. Boa para cobrir outra dívida com juros maiores. O problema é que nem todas as empresas oferecem este benefício para seus funcionários.
Crédito pessoal: fica à disposição do cliente do banco, porque geralmente é pré-aprovado. Mas atenção: os juros nem sempre são os mais competitivos porque os bancos sabem que quem recorre ao crédito pessoal está enforcado, precisando de dinheiro na hora. Vale para antecipar restituição de Imposto de Renda e o 13º salário.
Crédito Direto ao Consumidor: para quem quer comprar produtos caros, como carros e eletrodomésticos.
Microcrédito: para empreendedores ou pequenas empresas que precisam de algo entre 600 e 1 000 reais. Bom para quem precisa trocar uma máquina ou ampliar um pedaço do escritório.
Cartão de crédito e cheque pré-datado: também são formas de conseguir crédito na praça. O problema são os juros, altíssimos no caso do cartão, e da informalidade com os pré-datados (eles não existem segundo as leis brasileiras e qualquer loja que queira descontar seu cheque antes do combinado poderá fazê-lo).
Em qualquer um desses casos, tome muito cuidado com os juros. Normalmente, as pessoas só ficam de olho no tamanho da dívida – se ela cabe ou não no bolso - e se esquecem das taxas cobradas. Não faz sentido pegar 20 mil reais emprestados e ter uma dívida de 45 mil, depois de meses pagando juros sobre juros. Sempre que possível, troque uma dívida por outra: peça dinheiro no crédito consignado para pagar o cartão de crédito, por exemplo.
E, acima de tudo, evite comprometer mais do que 20%, ou no máximo 30% da renda da sua família com dívida. Este limite evita um suicídio financeiro que pode colocar todo seu sonho a perder.
Anne Dias é jornalista especialista em finanças pessoais e planejamento financeiro. Pós-graduada em jornalismo econômico pela PUC/SP, ela também se especializou em mercado de ações em cursos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Atuou em revistas como Exame, Você S/A e Forbes Brasil, além dos jornais Valor Econômico e Diário do Comércio. Por conta de suas reportagens na revista Você S/A, ganhou vários prêmios: Prêmio Abril de Jornalismo (com a matéria Trabalhar para quê?), Prêmio CNH de Jornalismo Econômico (com a matéria Qual o seu limite?), Prêmio Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (com a reportagem Carreira nos trilhos). Na TV Ideal, da Editora Abril, Anne Dias é apresentadora e roteirista dos programas Fique Rico e Virou Case (www.idealtv.com.br).
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