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Cesáreas

O parto normal é mais saudável para a mulher e para o bebê. No entanto, o número de cesáreas é alarmante, sendo ainda mais preocupante na rede privada de saúde. Saiba algumas razões.
 
Por que os bebês nascem de cesárea se o parto normal é mais saudável? Por Lia Segre em 2009-08-03 15:34:42
Fotos Divulgação/Ministério da Saúde.
Estamos vivenciando uma geração de bebês nascidos de parto cesariano. Os dados são alarmantes tanto para governo quanto para profissionais da saúde. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o parto cirúrgico predomina no mercado privado de planos de saúde. A proporção de cesarianas do setor é cerca de três vezes maior que a proporção encontrada no SUS e duas vezes maior que a média nacional. “Existe uma epidemia de cesáreas. Os números estão disponíveis no site do ministério da saúde”, diz Ana Cristina Duarte, militante pelo parto humanizado e obstetriz (antiga parteira).

Em 2003, 64,2% dos partos que ocorreram na rede privada foram cesárea. Em 2006, a taxa foi de 80,72%. Os números ultrapassam a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenda que as cesáreas não ultrapassem os 15% do total de partos.

É neste cenário que a ANS, dando prosseguimento às ações propostas pelo Movimento em Prol do Parto Normal e Pela Redução das Cesarianas Desnecessárias, organizou a publicação de uma edição temática denominada “O modelo de atenção obstétrica no setor de Saúde Suplementar no Brasil: cenários e perspectivas”. O governo tem feito diversas campanhas publicitárias e ideológicas para fomentar a prática do parto, mas há discordâncias sobre a fragilidade das tentativas: “Nenhuma campanha do governo federal é efetiva, só agora se ouve falar de AIDS, por exemplo. E só no carnaval e no fim do ano”, opina o ginecologista Altamir Vaz, que também atuava como obstetra. O médico chegou a realizar partos pelo SUS, convênios e até particular, mas parou por motivos relacionados à saúde.

Ana Cristina também tem críticas em relação às campanhas do Ministério da Saúde, mas, para a ela, o problema não envolve apenas o governo, “As campanhas não atingem a pessoa que faz o parto, que é o médico. Não adianta fazer campanha. Enquanto o profissional não receber adequadamente, não há campanha que adiante. A campanha do aleitamento materno deu certo porque o médico não perde nada com isso”, exemplifica. Vaz concorda que a classe médica não recebe adequadamente pelo parto: “No parto normal, o médico às vezes tem de ficar sete, oito horas do lado da mãe, enquanto uma cesariana demora apenas uma hora. O valor pago pelos convênios para o parto normal é muito pouco”.

Riscos
De acordo com Vaz, o parto normal traz mais benefícios para a mulher. Além disso, as cesarianas são grandes cirurgias, quando duas vidas são colocadas em risco. Segundo a edição da ANS, os gastos financeiros com a realização de cesarianas desnecessárias são expressivos. “Além dos riscos à saúde de mulheres e recém-nascidos, estima-se que atualmente metade das cesarianas realizadas nos Estados Unidos da América é desnecessária e resulta em considerável morbidade-mortalidade (risco de sequelas decorrentes do parto; ou morte) materna evitável, produzindo um gasto de cerca de US$ 1 bilhão por ano em conseqüência destas cirurgias”.

Falta de opção
Segundo Ana Cristina, o risco de morbi-mortalidade da mãe no parto cesariano é três vezes maior que o risco no parto natural, enquanto o risco para o bebê é 10 vezes mais alto. “É mentira que as mulheres querem cesariana”, sentencia sobre uma conhecida desculpa dada pela classe médica. “Todas as pesquisas mostraram que isso não é verdade, que as mulheres começam o pré-natal querendo normal, e, em algum momento, passam a desejar a cesariana. É dentro do consultório que acontece a mudança. Você não pode falar que a mãe pediu por um procedimento arriscado, perigoso, custoso, que provoca sacrifício na mãe e no bebê”, afirma.

A batalha é pela conscientização. Para o ginecologista entrevistado pelo Charme ao Volante , é a sociedade civil que mudará o quadro, não os médicos: “É uma questão de conscientização, que tem de começar com a comunidade. Médico no Brasil ganha muito mal. Quem tem dinheiro neste País é quem manda”, diz, criticando os convênios.

Benefícios do parto natural, segundo o médico Altamir Vaz

- No parto natural, a criança nasce quando ela está madura para nascer;
- A passagem pelo canal de parto traz um amadurecimento nerológico e pulmonar. O estresse pelo qual a criança passa faz com que ela fique mais forte;
- Na cesariana, a criança nasce menor, com o pulmão menos preparado;
- O estresse passado pelo bebê é diferente, numa incubadora;
- A natureza programou o parto normal, portanto, neste ponto, toda mulher esta preparada;
- A cesariana tira a criança da barriga da mãe fora do tempo, o que faz com que o bebê tenha de ficar internado, na maioria das vezes.

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