O que é melhor: comprar um imóvel ou viver de aluguel? A resposta a esta pergunta depende muito mais de como você encara a vida do que de quanto você tem no banco. Explico: para muitos consultores financeiros, como Gustavo Cerbasi, autor de Casais inteligentes investem juntos (Editora Gente), o melhor mesmo é viver em um apartamento alugado, principalmente se você está no começo de carreira. Assim, você fica livre para viajar e procurar emprego em outras cidades. O fato é que ter casa própria é mais uma questão sentimental, psicológica, do que financeira. Tem quem queira comprar o próprio teto e não abra mão disso. Tem quem prefira ver a grana rendendo e morar de aluguel.
Se você é da linha de quem prefere comprar a casa própria, minha dica é: compre seu primeiro imóvel e só. Casa na praia, no campo ou em outra cidade são micos para quem tem de fazer muitas escolhas financeiras. Ter dois imóveis implica contas dobradas: duas contas de água, duas contas de luz, dois condomínios, duas empregadas e por aí vai.
E como comprar um imóvel? De onde tirar o dinheiro? Há algumas boas maneiras para você fazer isso. Primeiro: não se esqueça do seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Depois, recorra a todos os seus bens passíveis de serem vendidos. Vale carro, terreno, computador. Abra uma conta em banco para esse fim e dê um nome para ela, do tipo: conta da casa nova. E coloque a família inteira na dança. Avise aos filhos que essa conta existe, que todo centavo será bem-vindo, porque a casa é para todos. Com essa grana invista em coisas seguras, tipo CDB, títulos do governo (caso você possa esperar 5, 10 anos ou mais). Bolsa de valores é um dinheiro rápido, porém de alto risco.
Você pode também pedir uma carta de crédito ao banco. Neste caso, procure as melhores taxas. Aí você vai ter de bater perna. Dê preferência ao banco onde você já tem conta. Depois, com tudo anotado, vá até a concorrência. Normalmente, a Caixa Econômica Federal oferece os melhores juros, porque usa linhas de crédito do governo federal. Mas vira e mexe bancos privados também conseguem entrar nessas linhas. Por isso vale a regra de bater pernas.
Tome cuidado com financiamentos feitos junto à construtora ou a alguma financeira que ela indique. Nem sempre elas oferecem os melhores preços. Em todos os casos, olhe o quanto de fato você vai pagar de juros. Não adianta o banco falar: serão 100 parcelas de R$ 1 mil. Você tem de ficar atenta aos juros que serão cobrados.
Bom, mas bom mesmo, é ter todo o dinheiro ou pelo menos boa parte dele na hora da compra. Com essa carta na manga, você ganha poder de fogo e tem maiores chances de ditar as regras. Mas se não for possível, não se chateie. Você não estará sozinha no barco do financiamento.
Anne Dias é jornalista especialista em finanças pessoais e planejamento financeiro. Pós-graduada em jornalismo econômico pela PUC/SP, ela também se especializou em mercado de ações em cursos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Atuou em revistas como Exame, Você S/A e Forbes Brasil, além dos jornais Valor Econômico e Diário do Comércio. Por conta de suas reportagens na revista Você S/A, ganhou vários prêmios: Prêmio Abril de Jornalismo (com a matéria Trabalhar para quê?), Prêmio CNH de Jornalismo Econômico (com a matéria Qual o seu limite?), Prêmio Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (com a reportagem Carreira nos trilhos). Na TV Ideal, da Editora Abril, Anne Dias é apresentadora e roteirista dos programas Fique Rico e Virou Case (www.idealtv.com.br).
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