Apesar dos avanços tecnológicos que vivenciamos, nossa rotina não ficou mais tranqüila. O Japão é o grande exemplo: o país da mais alta tecnologia, ao alcance de toda a população, e a maior carga horária diária de trabalho. E para buscar um padrão de vida cada vez mais alto (ou decente, no caso da maioria da população brasileira), temos de nos esforçar mais. Além do trabalho e estresse para sobrevivermos, há as mazelas sociais. Poluição, violência, trânsito são só alguns pontos problemáticos que podem tornar nossa vida ser muito desagradável.
Como solução de curto prazo para o estresse a qual somos submetidos todos os dias, é bom ter um refúgio em meio ao caos, e nada melhor do que sua própria casa. Buscar cada vez mais um ambiente relaxante e descansar de ambientes que lembrem escritórios. Que são muitas vezes monocromáticos, sem janelas, ambientes muito fechados e escuros, com ar-condicionado. E que a pessoa que passa entre 8 e 10 horas diárias.
Para a arquiteta Elisa Segre, é pela fuga que as pessoas tem buscado criar em suas casas ambientes mais naturais e saudáveis. “A cor é o primeiro passo para um ambiente relaxante. Em consultórios, por exemplo, as cores predominantes variam entre branco e azul ou verde claros, pois são cores que acalmam o paciente. A transparência é outra forma de deixar os ambientes mais bucólicos”. Assim, a arquiteta valoriza a combinação de vidros e plantas: quando o vidro separa uma sala de um jardim externo, dá uma sensação de estar em meio à natureza e está em alta nas construções de alto padrão. Inclusive jardins internos – pequenos gazebos com cobertura de vidro por exemplo, dentro da sala de estar, ou próximo à sala de jantar.
Idéias assim podem criar ambientes favoráveis para atividades de concentração e também de relaxamento. Alguns mais radicais utilizam fontes de água, o som da água fluindo é até uma questão religiosa e o zen também está em alta na arquitetura. Jardins orientais, móveis baixos que aproximam a pessoa da terra – as cores também são importantes, o branco predomina e alguns tons de verde ou marrom nas plantas. Estar próximo da terra é estar próximo das raízes, e de um fio terra natural para a eletricidade de nosso corpo.
Há quem prefira os tons arroxeados e rosados das orquídeas, ou lírios amarelos – essas cores são sempre as mais escolhidas para ambientes tranqüilos. O que se deve evitar são as cores de tom alaranjado variando para vermelho, cores muito quentes que tornam o espaço repulsivo.
Plantas
As cores e plantas são muito bem vindas, mas o mobiliário também é essencial. Elisa acredita que nesse momento não é só a combinação com o resto da casa que deve ser levado em conta: “na hora de escolher um sofá, é preciso não somente um que o que melhor combina com o ambiente , mas também experimentá-lo para sentir o que melhor se encaixa na sua necessidade”. Salas muito entulhadas, com muitos móveis e muitos ornamentos, ou bagunça também trazem a sensação repulsiva. Então é preciso pensar em todos os detalhes de decoração de acordo com a utilização da sala.
A iluminação também influencia o espaço. Ambientes muito escuros devem ser evitados, pois além de se gastar muito com a iluminação artificial, prejudica a saúde. O corpo humano necessita do sol, que é a luz original do planeta. E quanto mais próxima a lâmpada chegar dessa cor, mais a vontade a pessoa se sentirá no ambiente. A questão não é somente encher a casa de lustres e lâmpadas, mas escolher os pontos certos para que a iluminação seja suficiente. “O vidro é amigo da iluminação natural, mas também são necessários certos cuidados em relação à posição das janelas, para que casas em lugares mais frios sejam mais aquecidas e em lugares mais quentes não sejam superaquecidas”, lembra a arquiteta dos detalhes de um bom conforto ambiental.
A temperatura também influencia o ambiente, portanto é outro cuidado que se deve ter na hora de uma construção, afinal ninguém gosta de ar condicionado ligado o dia todo, e nem de usar casaco dentro de casa! Ao escolher um apartamento, lembre-se de que os de face norte serão mais quentes por todo o ano. Se você escolher a face sul, modifique os materiais para tornar o ambiente naturalmente mais aquecido, como madeira ao invés de pisos originários de pedra ou barro. Porém, tudo isso depende da temperatura da região: se a casa é no litoral ou região quente, é melhor procurar a última face para construir sua casa.
Vale tudo quando o objetivo é o bem-estar. Vasos de flores a jardins de inverno, cores claras a fontes de água e ofurôs, ambiente limpo e organizado a grandes projetos paisagísticos, uma iluminação natural inteligente a lâmpadas embutidas. Gastando ou não dinheiro, é possível criar ambientes não apenas confortáveis, mas também saudáveis e bonitos. Vale lembrar que o corpo aceita melhor materiais naturais, e você pode trocar os estofamentos de casa por algodão, fibra de bambu e outras opções disponíveis no mercado.
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