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Diversidade sexual na Saúde

Ao procurar atendimento de saúde público, as mulheres encontram dificuldades, apesar de avanços nos últimos anos. Se a mulher for indígena, negra ou lésbica, as dificuldades ficam ainda maiores.
 
Nem todos os grupos acompanharam os avanços que houve na Saúde da Mulher. Saiba quem são e porque são marginalizados. Por Lia Segre em 2009-08-28 12:41:21
Fotos Divulgação
Ao procurar atendimento de saúde público, as mulheres encontram dificuldades, apesar de avanços nos últimos anos. Se a mulher for indígena, negra ou lésbica, as dificuldades ficam ainda maiores. Sobra preconceito e falta sensibilidade para lidar com esta fatia da população no sistema público de saúde. Este assunto foi discutido no último dia 24 entre setores acadêmicos e representantes de movimentos sociais, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). O objetivo foi tratar dos desafios e avanços na saúde de lésbicas, indígenas e negras.

O grupo de homoafetivas (lésbicas), por exemplo, evita ir a postos de saúde e hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) e outros locais de atendimento e tratamento tanto por medo do preconceito quanto da falta de sensibilização profissional. Entre as maiores causas de morte de lésbicas, está o câncer de colo de útero – de acordo com um dossiê chamado "Saúde das Mulheres Lésbicas" - devido ao HPV, um vírus transmitido por meio do sexo. Esse vírus é identificado pelo exame preventivo papanicolau, nem sempre feito por esta fatia da população.

Os exames ginecológicos são feitos, de acordo com o dossiê, como se os médicos e profissionais da saúde lidassem sempre com casos heterossexuais. Quando a paciente informa sua opção sexual, a atitude mais comum é que o profissional não saiba indicar o procedimento necessário. Para o movimento lésbico, uma das soluções para a sensibilização profissional seria a incorporação na grade das faculdades de saúde de matérias que abordem a diversidade sexual. Afinal, para o grupo, é uma questão de saber lidar com uma minoria que também tem de ter acesso à saúde. Um direito assegurado Constituição de 88.

Diversidade na Saúde: homoafetivas
Lésbicas são mulheres que se relacionam afetivo sexualmente com outras mulheres, conforme explicou, com muita simplicidade, a debatedora Carmem Lúcia Luiz, representante da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) no Conselho Nacional de Saúde. "Se ser lésbica é isso, não temos diferenças biológicas, mas queremos um tratamento diferente daquele que recebemos", disse Carmem.

Ser diferente do padrão aceito requer enorme jogo de cintura e paciência, revela Carmem. Por experiência própria, ela sabe que tanto as lésbicas quanto os gays, bissexuais e transgêneros vivem em um cotidiano de preconceito, estereótipo e violência. As mulheres que gostam de mulheres, muitas vezes são relacionadas ao gênero masculino, pois a sociedade espera delas um tipo de comportamento pré-estabelecido.

Para Carmem, antes de homossexuais, elas são mulheres e, por isso, feministas. O próprio movimento lésbico saiu do movimento de mulheres, diz. Elas sofrem os mesmos problemas enfrentados pelo machismo, só que com o agravante de são seguirem o comportamento sexual padrão. Desta forma, sofrem preconceito também nos atendimentos de saúde.

O movimento lésbico reconhece algumas vitórias, dentre eles o fato de o documento do Atendimento Integral à Saude da Mulher citar a orientação sexual como relevante para a saúde mental. "Se você é diferente do estabelecido socialmente, você sofre uma série de consequências difíceis", afirma Carmem. Isso explicaria a fragilidade emocional acentuada em comparação com outros pacientes.

Em 2006, a Rede Feminista de Saúde, entidade presente no debate na Faculdade de Saúde Pública, produziu um dossiê chamado "Saúde das Mulheres Lésbicas", elaborado por Regina Barbosa (pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Populações da Unicamp, estava presente na mesa) e Regina Facchini. Esse é um dos poucos documentos que existem sobre o assunto e se trata de um verdadeiro levantamento feito no Brasil.

Avanços
Entre os avanços reconhecidos pelos grupos presentes, o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), elaborado em 1984, é um deles. E mais recentemente, foi lançada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher - Princípios e Diretrizes (2004). Em julho de 2005, foram adotadas medidas para operacionalização das ações previstas no Plano de Ação construído e legitimado por diversos setores da sociedade e pelas instâncias de controle social do SUS. Estas ações são consideradas conquistas, mas ainda falta muito para que haja igualdade de atendimento no SUS.

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