Desde o meio de setembro, os brasileiros passam a contar com dois instrumentos para conhecer as emissões de gás carbônico e de outros poluentes por carros de passeios: a Nota Verde e o indicador de CO2, lançados pelo Ministério do Meio Ambiente e o Ibama.
A Nota Verde, criada pelo Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores, varia numa escala de 0 a 10. Quanto maior a nota de um carro, menor o seu índice de emissão de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio.
Já com o indicador de CO2, o consumidor obterá informações sobre emissão de gás carbônico por quilômetro rodado pelo carro. Mas, a escala vai de 5 a 10, com uma casa decimal de precisão. Ou seja, aquele que emitir menos CO2 receberá nota 10.
Por enquanto, os dados disponíveis referem-se a modelos produzidos em 2008 e podem ser acessados pelos sites do Ministério ou do instituto. Segundo o site do governo, brevemente, as mesmas informações sobre emissões dos carros fabricados em 2009 também serão divulgadas.
Ranking
Na ferramenta, além da possibilidade de comparar um modelo com o outro, com uma pesquisa mais geral (todos os modelos de 2008), é possível visualizar um enorme ranking com todos os modelos e marcas.
No ranking das notas verdes, o melhor desempenho foi do Focus 2.0, da Ford, movido a gasolina, com nota 9,4. O pior desempenho foi do Corsa 1.4, da Chevrolet, quando movido a gasolina. Apenas oito carros obtiveram notas superiores a nove, liderando a lista dos menos poluentes.
As notas foram baseadas em informações colhidas durante o licenciamento dos veículos. Todos os modelos avaliados observam, portanto, os limites máximos de emissão adotados no país em 2008. Em janeiro, esses limites tornaram-se mais rigorosos. Novos limites entrarão em vigor em 2014.
Segundo Maurício Turra Ponte – especialista em Marketing e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing -, este tipo de estudo pode levar com que as empresas reconsiderem suas atuais estratégias, pois atualmente consideram unicamente aspectos relacionados ao desempenho funcional dos seus produtos (aceleração, acabamento, potencia etc). "Analisando o desenvolvimento da indústria automobilística, foi através da demanda dos consumidores por segurança e uma pressão por leis de proteção, que fizeram com que as montadoras começassem a se preocupar com a segurança dos passageiros".
Consulta
Para fazer uma consulta simples, basta informar o ano, a marca e o modelo e automaticamente serão fornecidas a Nota Verde, a emissão de CO2 e os dados de teste do carro. A Nota Verde permitirá ainda comparação simultânea de até três marcas/modelos de carro. Se preferir, informe apenas o ano e terá a lista completa de todos os veículos com as respectivas Notas Verdes em ordem decrescente.
O cálculo da Nota Verde envolve a média das emissões de três gases poluentes (monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio), medidos em testes de produção e comparados aos valores máximos de emissões permitidos em legislação específica do Proconve.
O indicador de CO2 não é resultado de uma fórmula de cálculo, mas representa uma classificação dos carros, segundo os valores de emissões medidos em testes de produção em 2008. Essa classificação envolverá apenas os carros a gasolina.
Não será divulgado indicador para carros a álcool, pois os Guias do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas de 2006 para inventários nacionais de gases de efeito estufa consideram que este combustível brasileiro “produz” emissão zero de CO2 por compensação. O álcool é combustível renovável, diferentemente da gasolina.
A informação sobre medidas de desempenho ambiental devem levar com que as empresas revisem suas políticas atuais sobre emissão de poluentes, "embora tenha certeza que isso seja algo que va demorar muito a ser levado em consideração por grande parte dos consumidores no momento da sua escolha", afirma Ponte, "de forma objetiva, acredito que atualmente não influencia na venda dos seus produtos, mas pode impactar de forma dramática a imagem de marca da empresa".
Ponte afirma que, por enquanto, uma parcela muito pequena da população tem mudado seus hábitos para torná-los mais sustentáveis. “Um determinado problema social é inicialmente identificado por um conjunto de especialistas ou pesquisadores. Ao longo do tempo conseguem fazer com que outros grupos sociais compreendam a importância em desenvolver mecanismos para limitar este impacto”. Esse processo pode demorar gerações, e tem relação com a educação – entender os problemas de uma vida insustentável, por exemplo. ”A tendência é que se tenha um maior nível de informação e de comprometimento com os problemas sociais... alguns países demonstram isso claramente, como por exemplo, a Inglaterra ou mesmo os paises nórdicos”.
Siga o Charme ao Volante no Twitter.
|
|