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Crise no mercado de automóveis

A crise financeira que abalou o mundo nos últimos dias também mostrou seus reflexos no mercado de automóveis, levando as taxas de juros para novos patamares. Para as mulheres que pensavam em comprar um carro agora, um economista dá dicas para comprar certo.
Vendas de carros diminuem em período de crise e juros altos. Veja dicas para comprar certo nessas horas. Por Erica Seccato em 2008-10-27 17:58:07
Fotos de arquivo.
Queda nas vendas, taxas de juros mais altas e consumidores assustados. Essas são algumas das conseqüências da atual crise financeira mundial, que atingiu fortemente o mercado de automóveis. Para as mulheres que pretendem comprar um carro agora, vale a dica do economista Luiz Edmundo de Oliveira Morais. “Pesquisar bastante e verificar se é mesmo necessária a compra nesse momento de taxas tão altas”.

Os resultados da crise são claros. “As vendas caíram quase 50%”, afirma Hamilton Navajas, proprietário da RH+ Veículos. De acordo com ele, os consumidores estão com medo das turbulências e no aguardo da queda das taxas de juros. “Elas estão 20% maiores e o cliente também precisa dar entrada para conseguir a liberação”, explica. Para ele, as vendas só devem crescer novamente com a volta da estabilidade ao mercado.

Ana Maria Junqueira, gerente de uma das concessionárias do grupo Itavema, confirmou a queda nas vendas, mas não soube precisar o quanto. Apesar da loja ainda oferecer crédito com ou sem entrada e taxas especiais, é inevitável que as parcelas de carros comprados três meses atrás sejam menores que a de carros comprados hoje.

Sem se identificar, a equipe do Charme ao Volante ligou para uma grande concessionária da capital paulista e verificou as taxas de juros e condições para a liberação de crédito. O carro consultado foi um Palio 0km, quatro portas, com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricos. De acordo com o vendedor, o carro poderia ser parcelado em até 60 vezes. O custo da parcela: R$ 980,00. Ao ser questionado sobre a taxa de juros praticada, ele afirmou que a mesma seria de 1,8% ao mês, mas confirmou que era de 1,5% menos de dois meses atrás.



Na pratica, isso pode significar muito. Por exemplo, um carro no valor de R$ 30 mil financiado em 60 meses, com taxa de 1,8% ao mês, teria o valor de sua parcela equivalente a R$ 898. O mesmo valor, financiado pelo mesmo período, mas com taxa de juros de 1,5% ao mês, significaria uma parcela de R$ 833. São R$ 65 de diferença todos os meses e um total de R$ 3,9 mil no valor final.

Economia

“A crise mundial é uma crise de crédito, mas no Brasil é uma crise de expectativa”, afirma Morais, que também é professor de Economia e consultor empresarial. De acordo com ele, o que ocorre no Brasil é que as pessoas estão com medo das altas taxas de juros e ficam no aguardo da queda das mesmas.

Como dica para as mulheres que desejam comprar um veículo, ele afirma que o ideal é poupar e pagar à vista. Mas, para aquelas que não podem esperar, a dica é pesquisar bastante para encontrar taxas menores ou aguardar até o próximo ano. “As taxas não devem subir, como todos estão pensando. Devem cair ou se manter no mesmo patamar”. De acordo com ele, a taxa de juros ideal deve ser menor ou igual à taxa de juros da poupança.



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