Queda nas vendas, taxas de juros mais altas e consumidores assustados. Essas são algumas das conseqüências da atual crise financeira mundial, que atingiu fortemente o mercado de automóveis. Para as mulheres que pretendem comprar um carro agora, vale a dica do economista Luiz Edmundo de Oliveira Morais. “Pesquisar bastante e verificar se é mesmo necessária a compra nesse momento de taxas tão altas”.
Os resultados da crise são claros. “As vendas caíram quase 50%”, afirma Hamilton Navajas, proprietário da RH+ Veículos. De acordo com ele, os consumidores estão com medo das turbulências e no aguardo da queda das taxas de juros. “Elas estão 20% maiores e o cliente também precisa dar entrada para conseguir a liberação”, explica. Para ele, as vendas só devem crescer novamente com a volta da estabilidade ao mercado.
Ana Maria Junqueira, gerente de uma das concessionárias do grupo Itavema, confirmou a queda nas vendas, mas não soube precisar o quanto. Apesar da loja ainda oferecer crédito com ou sem entrada e taxas especiais, é inevitável que as parcelas de carros comprados três meses atrás sejam menores que a de carros comprados hoje.
Sem se identificar, a equipe do Charme ao Volante ligou para uma grande concessionária da capital paulista e verificou as taxas de juros e condições para a liberação de crédito. O carro consultado foi um Palio 0km, quatro portas, com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricos. De acordo com o vendedor, o carro poderia ser parcelado em até 60 vezes. O custo da parcela: R$ 980,00. Ao ser questionado sobre a taxa de juros praticada, ele afirmou que a mesma seria de 1,8% ao mês, mas confirmou que era de 1,5% menos de dois meses atrás.
Na pratica, isso pode significar muito. Por exemplo, um carro no valor de R$ 30 mil financiado em 60 meses, com taxa de 1,8% ao mês, teria o valor de sua parcela equivalente a R$ 898. O mesmo valor, financiado pelo mesmo período, mas com taxa de juros de 1,5% ao mês, significaria uma parcela de R$ 833. São R$ 65 de diferença todos os meses e um total de R$ 3,9 mil no valor final.
Economia
“A crise mundial é uma crise de crédito, mas no Brasil é uma crise de expectativa”, afirma Morais, que também é professor de Economia e consultor empresarial. De acordo com ele, o que ocorre no Brasil é que as pessoas estão com medo das altas taxas de juros e ficam no aguardo da queda das mesmas.
Como dica para as mulheres que desejam comprar um veículo, ele afirma que o ideal é poupar e pagar à vista. Mas, para aquelas que não podem esperar, a dica é pesquisar bastante para encontrar taxas menores ou aguardar até o próximo ano. “As taxas não devem subir, como todos estão pensando. Devem cair ou se manter no mesmo patamar”. De acordo com ele, a taxa de juros ideal deve ser menor ou igual à taxa de juros da poupança.
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